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TitleA competência sintáctica de falantes bilingues luso-alemães regressados a Portugal : um estudo sobre erosão linguística
AuthorFlores, Cristina
ContributorsKoller, Erwin; Barbosa, Pilar; Meisel, Jürgen M.
Subject(s)803.0; 806.90; 801
Abstract

Tese de Doutoramento em Ciências da Linguagem - Ramo de Conhecimento de Linguística Alemã

O presente trabalho tem por objectivo investigar um fenómeno específico do campo da Linguística, o Bilinguismo, inserindo-se concretamente na área de estudo de Language Attrition, a qual, por ausência de investigação neste domínio e consequente falta de terminologia portuguesa correspondente, é aqui baptizada de ‘erosão linguística’. Com base num corpus de transcrições de entrevistas orais, conduzidas no âmbito do projecto de investigação POCI/LIN/59780/20041, o estudo parte de uma questão central da área de investigação do Bilinguismo: é possível perdermos a competência de uma língua que adquirimos de forma natural durante a infância? O grupo sob investigação é constituído por 32 falantes, que cresceram num país de expressão alemã, tendo adquirido o alemão e o português naturalmente em fase precoce da infância. Todos estes falantes vieram viver para Portugal, o país natal dos seus pais, em determinada altura da sua vida, mudando de ambiente linguístico dominante. O alemão, que durante a emigração era a língua predominantemente utilizada, passa então a língua não dominante, ocorrendo uma redução considerável de input desta língua. Esta redução no uso da língua alemã constitui o ponto de partida da presente análise, uma vez que permite examinar se a privação de contacto diário com a segunda língua leva à ocorrência de fenómenos de variação linguística. Apresentando diferenças em relação a três factores cruciais - a idade de regresso, o tempo de estada em Portugal e a frequência de contacto com o alemão desde a mudança de país - o grupo sob investigação subdivide-se em quatro subgrupos: 1) falantes que regressaram a Portugal há pouco tempo e/ou mantêm contacto frequente com o alemão; 2) falantes que vieram para Portugal com idade igual ou superior aos doze anos e que têm um contacto muito reduzido com a sua segunda língua; 3) falantes que vieram para Portugal na infância (até aos onze anos de idade), tendo desde então um input muito reduzido do alemão; 4) falantes que, tendo deixado o país de emigração em fase precoce da infância (entre os cinco e os nove anos de idade), não conseguiram expressar-se em alemão, aparentando ter perdido a sua segunda língua. Tendo por base a concepção racionalista da faculdade linguística inerente à gramática generativa, o estudo incide essencialmente sobre o domínio sintáctico. Pretende-se testar a vulnerabilidade de determinados aspectos sintácticos do alemão face aos factores extralinguísticos que poderão condicionar a ocorrência de erosão. Neste sentido, é analisada a proficiência dos falantes em relação às regras de posicionamento verbal e à expressão do sujeito e do objecto tópico. Serão ainda discutidos outros fenómenos sintácticos observados nos registos de alguns falantes, como processos de adjunção e alterações da ordem da frase que não respeitam as condicionantes sintácticas e pragmáticas do alemão. Revelando uma estreita relação entre os factores ‘idade de perda/redução de input’, ‘frequência de contacto com a segunda língua’ e ‘tempo de estada em Portugal’, os dados atestam diferentes graus de vulnerabilidade dos diversos domínios sintácticos analisados. Ao mesmo tempo sugerem que os fenómenos de erosão observados são consequência de debilidades existentes a nível do controlo da língua não usada, evidenciadas na incapacidade em inibir totalmente a língua dominante, o português, no momento de processamento do alemão. Conclui-se assim que, mesmo após um extenso período sem input da segunda língua, os falantes bilingues que apresentam desvios sintácticos nos seus registos perdem a capacidade de controlar as suas duas línguas quando falam alemão, mas não perdem o domínio das regras sintácticas da língua que adquiriram em fase precoce da sua infância.

Die vorliegende Arbeit ist einem besonderen linguistischen Phänomen im Rahmen der Mehrsprachigkeitsforschung gewidmet. Genau genommen kann sie dem Forschungszweig der Language Attrition zugeordnet werden, das hier, da für das Portugiesische zu diesen Erscheinungen bisher keine Studien vorliegen und es deshalb noch keinen portugiesischen Begriff dafür gibt, als „erosão linguística“ („sprachliche Erosion“) bezeichnet werden soll. Die Untersuchung basiert auf einem Corpus von transkribierten Interviews, die im Rahmen des Forschungsprojektes POCI/LIN/59780/20042 durchgeführt wurden, und geht von einer zentralen Frage der Zweisprachigkeitsforschung aus: Ist es möglich, die Sprachkompetenz in einer Sprache zu verlieren, die während der Kindheit natürlich erworben wurde? Die untersuchte Gruppe besteht aus 32 Sprechern, die in einem deutschsprachigen Land aufwuchsen und sowohl Deutsch als auch Portugiesisch bereits in der frühen Kindheit erworben haben. Alle diese Sprecher zogen zu einem gewissen Zeitpunkt ihres Lebens (zurück) nach Portugal, ihrem Heimatland, womit sich ihr den Alltag bestimmendes sprachliches Umfeld änderte. Das Deutsche, das während der Emigration die vorrangig benutzte Sprache war, trat vom Moment der Rückkehr an in den Hintergrund, was mit einem dramatischen Rückgang des Deutschinputs verbunden war. Dieser Kontaktverlust mit der deutschen Sprache wurde zum Ausgangspunkt der vorliegenden Analyse gewählt, da er zu untersuchen erlaubt, ob die Einschränkung des täglichen Kontakts mit der zweiten Sprache zum Auftreten von sprachwissenschaftlich relevanten Erscheinungen führt. Indem Unterschiede hinsichtlich dreier Hauptfaktoren - des Alters zum Zeitpunkt der Rückkehr, die danach in Portugal verbrachte Zeit sowie die Häufigkeit des Kontakts zur deutschen Sprache seit dem Umzug - berücksichtigt wurden, konnten die Probanten in vier Untergruppen unterteilt werden: 1) Sprecher, die erst vor kurzem nach Portugal zurückgekehrt sind und/ oder noch regelmäßig Kontakt zur deutschen Sprache haben; 2) Sprecher, die im Alter von 12 Jahren oder älter nach Portugal kamen und nur noch einen sehr geringen Kontakt mit ihrer Zweitsprache haben; 3) Sprecher, die in ihrer frühen Kindheit (bis zum Alter von 11 Jahren) nach Portugal kamen und somit einen noch stärker reduzierten deutschen Input haben; 4) Sprecher, die bereits im Kleinkindalter (Alter zwischen 5 und 9 Jahren) das Aufnahmeland verlassen hatten und nicht mehr Deutsch sprechen können, also ihre Zweitsprache offensichtlich wieder verloren haben. Ausgehend von der innerhalb der generativen Grammatik vertretenen rationalistischen Annahme einer inhärenten Sprachfähigkeit, konzentriert sich die vorliegende Untersuchung hauptsächlich auf den syntaktischen Bereich. Dabei soll geprüft werden, inwieweit nichtlinguistische Faktoren erodierenden Einfluss auf bestimmte syntaktische Aspekte der deutschen Sprache haben und zu Sprachverlusterscheinungen führen können. In diesem Sinne werden Aspekte wie die Stellungsregeln des Verbs und die Verwendung des Subjekts und des topikalisierten Objekts analysiert. Zudem werden andere bei einigen Probanten beobachtete syntaktische Phänomene diskutiert, wie Adjunktionsprozesse und veränderte Wortstellungen, die nicht den syntaktischen und pragmatischen Regeln des Deutschen folgen. Indem eine enge Beziehung zwischen den Faktoren Rückwanderungsalter, Häufigkeit des Kontakts mit der Zweitsprache und Aufenthaltsdauer in Portugal hergestellt wird, belegen die erhobenen Daten verschiedene Stufen der Anfälligkeit für Sprachverlustprozesse in den verschiedenen analysierten syntaktischen Bereichen. Gleichzeitig legen sie nahe, dass die beobachteten Erscheinungen des Sprachverlusts Folge einer bestehenden Sprachkontrollschwäche in Bezug auf die nicht benutzte Sprache sind, was sich in der Unfähigkeit zeigt, während des Deutschsprechens die dominante Sprache, hier das Portugiesische, nicht vollständig ausschalten zu können. So lässt sich schlussfolgern, dass auch nach einem langen Zeitraum ohne sprachlichen Input in der Zweitsprache die bilinguen Sprecher, bei denen die Aufzeichnungen syntaktische Abweichungen zeigten, zwar ihre beiden Sprachen, während sie Deutsch sprechen, nicht zu kontrollieren vermögen, jedoch die Beherrschung syntaktischer Regeln einer Sprache, die sie in ihrer frühen Kindheit erworben haben, nicht verloren haben.

The present study investigates a specific phenomenon in the domain of Bilingualism, namely Language Attrition (here named as “erosão linguística” (“linguistic erosion”)). Based on a corpus of oral interviews, collected under the research project POCI/LIN/59780/20043, the study starts with a core question in the investigation area of bilingualism: is it possible to lose competence of a language we acquired naturally during childhood? The research group is composed of 32 informants who grew up in German speaking countries, having acquired German and Portuguese naturally in early childhood. All these bilingual speakers came to live in Portugal, their parents’ birthplace, at some point of their lives, changing their dominant linguistic environment. German, the predominantly used language during the emigration period, becomes the minority language; with a considerable reduction of input in this language. The reduction in the use of the L2 is the starting point for the present analysis since it allows us to examine if the privation of daily contact with the second language leads to the occurrence of linguistic variation. The research group shows differences in relation to three crucial factors – age of return, time of stay in Portugal and frequency of contact with German since return – which allows its division into four subgroups: 1) informants who have returned to Portugal a short time ago and/or maintain frequent contact with German; 2) subjects who came to Portugal at the age of twelve or more and who have very restricted contact with their L2; 3) informants who came to Portugal during their childhood (until the age of eleven) having from then on a very reduced input of German; 4) informants who, having left the emigration country in an early stage of childhood (between the age of five and nine), were not able to express themselves in German, seeming to have lost their second language. The present study assumes the mentalist conception of the language faculty inherent to Generative Grammar and focuses on the syntactic domain. We intend to test the vulnerability of certain syntactic aspects of German against extra-linguistic factors, which may condition the occurrence of attrition. In particular, we will analyse, word order and the expression of the subject and object. Other syntactic phenomena observed in the speech of some speakers are also discussed, such as adjunction processes and changes in word order which do not respect the syntactic constraints of German grammar. The data show different degrees of vulnerability of the various syntactic domains that were analyzed and reveal a strong relationship among the factors 'age’, 'frequency of contact with L2' and 'length of stay’,. At the same time they suggest that the observed attrition phenomena might be a consequence of debility at the level of language control. The speakers seem not to be able to inhibit totally the dominant language, Portuguese, when they use German. Thus, we conclude that, even after a long period of time without input of the L2, bilingual speakers seem to lose their ability to control their two languages when speaking the L2, but they do not lose the syntactic knowledge of the language they acquired in an early stage of their childhood.

Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

Date2008-05-13
Typehttp://purl.org/coar/resource_type/c_db06
Identifier
Languagepor
Rightshttp://purl.org/coar/access_right/c_abf2